Há quatro anos atrás o dia dos pais caiu num dia 10, e não num dia 12 como esse ano. Eu me lembro como se tivesse sido hoje... eu não estava em Bebedouro, estava em São Paulo a passeio, e ia passar o dia dos pais por lá. Sem motivo aparente (hoje eu vejo que havia um motivo: Deus) eu acordei muito cedo naquele domingo e com um desespero de voltar a Bebedouro pra passar o dia dos pais com meu pai. E o fiz. Saí de lá e cheguei aqui a tempo de almoçar com ele! Almoçamos, vimos um jogo do Palmeiras e ficamos juntos o resto do dia. Foi meu último dia dos pais com ele. Foi meu último almoço de domingo com ele. No domingo seguinte já estávamos em Divinópolis, MG, e ele me colocou no ônibus de volta a Ouro Preto. Segunda-feira, já aqui em Bebedouro, ele passou mal e foi ao hospital, e nunca mais voltou.
Começaram então os piores dias da minha vida. Foram 12 dias de angústia, de incertezas, de choro, de desespero. Até o tão odiável dia 31 de Agosto. O fim. O dia a partir do qual eu nunca mais poderia tocar a pessoa que eu mais amei no mundo. O fim dos beijos, do abraço que me protegia de tudo, dos conselhos em todas as situações, das intermináveis brigas por nada... o fim da presença física do meu herói.
Deus ainda nos deu a chance de trocarmos o último "eu te amo", tão impronunciável pra ele, já entubado, mas dito. E depois, o silêncio eterno.
(...)
Estranhamente, eu ainda sinto sua presença todo dia. Eu ainda escuto suas respostas quando eu penso no que você faria em tal situação, eu ainda vejo sua mão quando eu olho pra minha...
De um jeito indescritível, eu ainda consigo te dizer que eu te amo, que você foi o melhor pai que eu poderia ter, e que você não precisou de mais de 20 anos ao meu lado pra me ensinar tudo o que eu sei.
Seu feliz dia dos pais eu já te disse, naquela nossa linguagem mágica e silenciosa.
http://www.youtube.com/watch?v=5C2rvz3R8QE

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